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Termos de Uso
Vivo longe de ti, mas que me importa? Se eu já não vivo em mim! Ando a vaguear Em roda à tua casa…
São assim ocos, rudes, os meus versos: Rimas perdidas, vendavais dispersos, Com que eu iludo os outros, com que minto!
Ouço as olaias rindo desgrenhadas… Tombam astros em fogo, astros dementes. E do luar os beijos languescentes São pedaços de prata p’las estradas…
Sou a dona dos místicos cansaços, A fantástica e estranha rapariga Que um dia ficou presa nos teus braços… Não vás ainda embora, ó sombra amiga!
Há uma Primavera em cada vida: É preciso cantá-la assim florida, Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!
Quando o Outono leva a folha rendilhada, O vestido real da branda Primavera, O rio abre-lhe os braços e leva amortalhada A pequenina folha, essa ideal quimera!
Deixa-te estar quietinho! Não amais A doce quietação da soledade? Tuas lindas quimeras irreais, Não valem o prazer duma saudade!
Que diga o mundo e a gente o que quiser! – O que é que isso me faz?… o que me importa?… O frio que trago dentro gela e corta Tudo que é sonho e graça na mulher!
Um dia, fez Deuz uns olhos Tão azuis como esses teus, Que olharam admirados A taça branca dos céus.
Acreditar em mulheres É coisa que ninguém faz; Tudo quanto amor constrói A incostância desfaz.
Só quem embala no peito Dores amargas e secretas É que em noites de luar Pode entender os poetas
E as lágrimas que choro, branca e calma, Ninguém as vê brotar dentro da alma!