Castelo dos Medos
Voltei do Castelo dos Medos. Tão belos segredos se me escancararam na busca, que o singelo torpor que ganhei nem me assusta: trombei com tanto tremor que me frustra e incapacita, que uma certa anestesia de compor era prevista e até bem-vinda, bonita, bem-quista. O duelo foi bruto (luta injusta!): cada golpe de martelo que eu dava num medo astuto, vinha doer era meu dedo inocente em vez do fujão oponente. (Ele se oculta na execução do ato! E a martelada direta, de fato, acerta só meu coração indefeso: revira as mesas, derruba os retratos, quebra os pratos, risca o chão no peso da pancada. No fim das contas, é coração que se desmonta pra todo lado dentro de mim - tanta ruína carmesim! tão pouca monta! tanto desprezo! - e jaz o medo fugaz, refugiado no centro do interior mais remoto, roubando-me a paz lá de onde se esconde e eu nem noto.)